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Flavia

Atualizado: 23 de jul. de 2022

Flavia, em sua sacada, todas as noites bebia da sua vida como alguém quem bebe um bom vinho em um copo de vidro, sem se importar com a temperatura do líquido,  sem diferenciar em suas glândulas gustativas, o teor do álcool, ou a qualidade da uva. Sempre na mesma rotina, o banhar- se em água morna era sempre sua opção. Nunca se permitia ir além do que já conhecia. Não ousava, não falava, não queria, nem ao mesmo jogava fora os antigos rótulos das pilhas de garrafas entulhadas no canto da cozinha.

 Tudo era sempre igual dentro da sua camisola de seda gasta, preenchida por pequenos seios, finos braços e pernas compridas.

Não atendia o telefone, não falava com as vizinhas. As poucas palavras frias era direcionada a dona Antonia; a antiga empregada da família, _tão antiga que nem era mais diferenciada dos móveis da casa.

Tudo igual,tudo sem pretensão de mudanças, tudo embasado no sentimento chamado medo, por ser mais facil se esconder dentro das próprias mentiras contadas a si, do que assumir seu egoísmo em se sentir sempre superior aos outros.

Dani Raphael

Imagem Pexels



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